Tuesday, November 10, 2009

Leitinho na tetinha


(Sidclay Dias, Belém, 2009)

(história recolhida por aí, nessas andanças por esse mundão largo e comprido)



Interior do Pará, insertae data et sedis. Um amigo meu contou um caso que com ele aconteceu que é no mínino curioso e no máximo hilário. Codinome do amigo: P. Vamos lá:


P estava há alguns dias sem ter uma mulher para si. A gala tava expurgando pelas orelhas e por quase nada de mulher ele foderia até mesmo o mais medonho dos espécimens femininos que pelo caminho dele passase. E nesses interiores do Norte o que não falta é uma foda farta, desprovida de qualquer pudor católico. Saibam que nesses baixios menoridade não é nada e virgindades caem por terra aos 13, 14 anos de forma muito mais normal que lhes pareçam. E “caem” por insistência das meninas que, por falta de explicação melhor e mais científica, tem um fogo indomável na buceta.


E P estava numa cidadela à procura. Ele tava caçando uma vítima para seu abate de foda. Ele visou a vítima, fizeram contato visual, houve resposta positiva que permitira a abordagem e daí começa o festival de equívocos e presepadas que agora eu lhes contarei:


P - Oi.

Menina (tímida) – Olá! Cê não é daqui, certo?

P – Não... sou de Belém.

Menina (olhos brilhando) – Olha... legal... quer ficar conversando comigo?

P – Claro, fico sim!

Menina – Quer um pouco? (e prontamente mostrou uma panela de feijão com arroz que ela estava a comer sentada na soleira de um bar de terceira ordem onde P a visou pela primeira vez).


E a menina insistia com uma colher em riste cheia de baião-de-dois a enfiar goela abaixo de P a mistura. P relutou um pouco, mas pensou: porra, eu já vou foder essa guria mesmo, o que faz de mal se eu comer esse arroz com feijão? E comeu! Não uma, mas duas colheradas. E não obstante a menina ainda ofereceu parte do bife que no fundo da panela estava. P pensou: Caralho, se a Menina tá me oferenco do seu sustento é poque ela quer dar pra mim. E vai rolar cu no mínimo. E empolgado, P comeu do bife dela (sem metáforas, o bife é literal mesmo).


Papo vai, papo vem e P estava excitadíssimo. Mas a menina parecia em outra órbita, como se lhe quisese falar outra coisa que não sobre uma eventual trepada. E, de supetão, ela solta:


Menina – Eu tenho filho!

P (pensa) – Como se isso fosse alguma novidade....

P (fala pra ela) – Tudo bem com seu filho... ele não vai saber de nada... só quero te levar pro hotel onde hospedado estou. E lá quem sabe, né?

Menina – É que meu filho é recém-nascido e eu estou dando leite ainda...


Estupefato, P viu a menina tirar um seio de dentro de sua sumária blusinha e apertá-lo entre os dedos. Pra maioria dos homens do mundo a cena descrita a seguir amoleceria o pau de qualquer um: da tetinha saiu leitinho. Em esguicho. Farto e santo leite. Por isso a menina não queria ir com P. Há um senso comum nesses rincões que as lactantes não podem foder. E pra espanto da “classe homem” em geral, P ficou de p... duro ao ver o leite escorrendo pela morena teta. Pra findar o ocorrido, a menina ainda pediu pra P que ele lhe desse R$12,00 para que ela pudesse comprar uma lata de leite em pó. Lógica cabocla: se eu ministrar leite em pó pra meu filho, meu peito secará e voltarei a transar (talvez angariando 5 ou 6 reais por fodida que eu dê).

P estendeu uma nota de R$20,00 e disse: fique com o resto pra você. A essa altura do campeonato, de pau mole, ele não se importaria com R$8,00 de troco.


Wednesday, September 02, 2009

Sono

(Sidclay Dias, Belém, 2009)


Escrevendo estas pobres linhas, sinto areia nos meus olhos. As pálpebras pesadas

Um peso incomensurável na cabeçorra de 200 kg

Quase não consigo concentrar-me na trama que criei para vingar-me dela (mais ou menos assim):

Passo n° 1: cuspir no prato em que comi
(o sono me consome lentamente)

Passo n° 2: cravar-lhe uma faca em suas cotsas
(olhos pendendo para dentro)

Passo n° 3: deixar-me deciliar com a desrgçaa dela
(pescando todos os peixes do mundo)

Passo n° 4: terba-lhe etrfo na acar
(mais um pouco e eu tombo)

Passo n° 5: humlhira, rrucar-lhe o nuâs e jorag-hel na sajrtea
(tomo uma decisão final e chego ao sexto e derradeiro passo)

Passo n° 6: deixar de ser idiota, suspirar a última lufada de lucidez e deixar para tramar coisinhas vingativas amanhã, depois de um belo descanso.
(deito gostosamente a cabeça no travesseiro e trgyshdyd, gftyehhgsajh e zzzzmmmm)

Thursday, August 27, 2009

No cuzinho

(Sidclay Dias, Belém, 2009)


- Me deixa colocar, vai?

- Não! No cuzinho, não! Dói!

- Dói não! Uso lubrificante, amaciantes e penetrantes.

- Dói não? Isso porque não é seu cu que tá na berlinda...

(aquela pendenga já se arrastava por muito tempo. E parecia que ali, naquele covil de paredes brancas, tudo estava pouco resoluto)

- Meu rapaz, decida-se! Quase todo mundo chega aqui com receio, mas depois deixam-se, todos, que eu coloque.

- Nem por 500 conversas eu te deixo meter essa porra em mim.

- O que é bobagem da sua parte. Seu ânus não é fonte de sua masculinidade. Rompê-lo não o fará menos macho.

- Puta... tem uma música para relaxar pelo menos.

- Não.

- Aqui, então, é tudo no seco, é?

- Como você acha que eu procedo? Sou profissional!

- Ok! Mete logo essa porra! Mas com cuidado que eu quero as pregas todas no lugar.

- Relaxe profundamente e deite-se em decúbito ventral. Deixe comigo que eu entendo das coisas: JANETE, por favor!

Entra Janete, uma cabrocha hiper-negra, empunhando luvas cirúrgicas e fechando a porta às suas costas onde se lia numa plaquinha: DR. CARNEIRO, PROCTOLOGISTA.

Tuesday, August 11, 2009

Beleza do paradoxo

(Sidclay Calaça Dias, Belém, 2009)

As flores do jambeiro caídas, pela calçada, são belas. Mas elas, caídas, estão mortas.

Então a morte é bela.

Certo?

Não sei, não sabemos.

Tuesday, July 28, 2009

O olho azul

(Sidclay Calaça Dias, Belém, 2006)

“Linger on, your pale blue eyes” (Lou Reed)


Entrei em uma lanchonete com minha namorada.
Durante a fila do caixa notei que uma menina com grandes olhos azuis
chorava copiosamente.
Pensei: deve ter acontecido algo muito ruim.
E ela, numa olhada de soslaio, notou que eu a percebia.
Dei um tchauzinho e fiz uma careta boba qualquer.
Ela sorriu um riso bem tímido, mas que já trouxera algum alento para aquele mar de lágrimas que do olho dela escorria e borrava a maquiagem e a enfeiava.
Pensei em ir até ela e puxar alguma conversa fiada, contar uma piadinha, sei lá...
Mas eu estava acompanhado. E mulheres são, assim, meio misteriosas.
Melhor não, pensei. Depois isso vai acabar em confusão.
Saí da lanchonete de estômago cheio, de mãos dadas com ela e um pouco triste,
confesso, por ser frouxo demais.

Tuesday, July 21, 2009

Sacanagem

(Sidclay Calaça Dias, Belém, 2008)


Eu estava atravesssando a rua Padre Eutíquio em frente ao shopping center, quando de repente eu vi um interessante pequeno-colóquio entre um motoqueiro sem capacete com sua filhinha, uma menina de no máximo 4 anos, sentada na garupa da moto.


O pai: - Caralho!!! Sua mãe tá demorando demais. Ela tá de SACANAGEM!!!


A menina: - Pai, o que é SACANAGEM?

Thursday, July 16, 2009

Plic, plic, plic

(Sidclay Calaça Dias, Belém, 2009)



Abri os olhos e vi ratos, um beco imundo e um cano por onde saía mijo e merda.

Plic, plic, plic...bati as pálpebras e fechei os olhos.

E vi Milena com seus cabelos drapejados pelo vento e senti o perfume dela me inundando as narinas.

Abri os olhos e vi gente matando gente, estupros, pedófilos e tarados.

Plic, plic, plic...bati as pálpebras e fechei os olhos.

E Milena tenta me fazer sambar um samba e eu morro de achar graça com a minha inapetência para danças.

Abri os olhos e vi o Dalton Trevisan jogando pôquer com o Charles Bukowski e dois travestis defecando num cantinho numa esquina.

Plic, plic, plic...bati as pálpebras e fechei os olhos.

E Milena pede para eu comprar um celular e eu invento uma esfarrapada desculpa e a gente se queda rindo da minha bobagem.

Concluo que é melhor sonhar de olhos fechados a encarar a triste realidade de olhos abertos.

E plic, plic, plic... volto eu a fechar os olhos para nunca mais abri-los.

Tuesday, July 14, 2009

Amor para Raimundo

(Sidclay Calaça Dias, Belém, 2008)


Entrei no ônibus e torci para ter um lugar vago onde eu pudesse
sentar meus ossos.
Tinha um lugar vago bem ao lado de uma gorda mal-feita.
Sua loirice era vulgar demais e suas
unhas aparentavam uma nojeira.


Sentei-me e juro que incomodado estava.
Encostar por esbarrão naquela mulher era um exercício de
comunhão bacteriológica.
Eis que o celular dela tocou. Era Raimundo.


Raimundo deveria ser o namorado ou esposo. E pelo monossilabismo
da conversa que eu captava, tentando interpretar o que Raimundo
falava, presumi que ele estava se desculpando por uma
cafajestada qualquer.



Conversa findada. A “loira” suspirou fundo e disse baixinho: é
foda... De pronto ela tirou de sua bolsa um bombom de chocolate
“Sonho de Valsa” e escreveu em um pedaço de papel com letras
garrafais: AMOR PARA RAIMUNDO.


Ela olhou o bombom, olhou o que escrevera no pedaço do papel e
disse para mim: esse Raimundo!!! De repente ela amassou o
papelzinho, jogando-o pra fora do ônibus; e comeu o bombom.