Plácida ela passeava com o guarda-chuva todo torto e furado
Debaixo do maior toró
Vestida com saiote
E com blusinha em decote
Seus seios trepidavam de modo muito sutil
Ao sacolejar de quando ela saltitava
As poças d’água
Iluminada pelo tungstênio das lâmpadas
Sua maquilagem se esborrava com os pingos da chuva
Que do seu molhado cabelo caíam
Notei seu olho roxo e inchado
Como que esmurrado
(vítima da desculpa esfarrapada
para livrar seu marido de pau pequeno da cruel curra da cadeia)
Sei lá o que teria sido aquilo lá. Só sei que não mais no assunto fiquei a pensar
E ela ainda trazia uma presilha de madrepérola
Presa aos seus encarapinhados cabelos
- O que lhe conferia um ar blasé -
Mas só pensava em um sádico modo de dar-lhe um murro em seu outro olho
E mandar aos gritos que ela parasse de se portar como uma puta
E aos mesmos gritos mandar ela
perguntar o tamanho do meu pau.
Nov 24, 2010
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