(baseado livremente no conto “A República das Bananeiras” de Carlos Heitor Cony e em Otelo de William Shakespeare)
É fato. Humanos consomem outros animais e, às vezes, vegetais, para se satisfazerem sexualmente. E ninguém se espante com essa questão. Até hoje, nos sertões desse nosso Brasil, as práticas/ritos de iniciação sexual da maioria dos pré-adolescentes passam pelos cus das galinhas, porcas, mulas e pelos buraquinhos feitos em melancias, mamões etc.
Esse pequeno conto foi baseado num relato que recolhi no alto sertão paraibano e, numa felicíssima coincidência, em um conto do Carlos Cony. Vamos aos fatos: um menino com seus 12, 13 anos que mora em uma cidade estropiada do interior, pobre e sem instrução educacional básica (tipo saber ler) só vai consumar sexo caso pague, estupre ou se faça valer de algum expediente zoófilo. Mas esse menino aqui descrito nesse relato valeu-se de uma outra forma de paixão que causou uma arrebatadora e mortal disputa. Pedrinho elegera Helen para ser sua companheira. Helen era cria da labuta de Pedro numa plantação de bananas.
Helen era uma bananeira. Vegetal mesmo. Engraçado é que no interior onde Pedrinho morava uma única bananeira tinha três ou quatro furinhos no caule suculento, molhado, tal qual uma buceta. A explicação para os furinhos era simples: vários garotos de várias idades diferentes (e, portanto, com alturas distintas) fodiam a mesma bananeira. Mas tudo com muito respeito, pois ninguém fodia o buraquinho alheio. Mas Pedro nutria por Helen, Sua Bananeira, um carinho muito especial. E, por conseguinte, um ciúme gigantesco. Seu nome estava gravado em seu tronco, dando-lhe um status único: só ele poderia arrombar o delicioso furinho da buceta imaginária que sua cabecinha criara. Helen já contava com três furinhos em alturas diferentes. Isso porque Pedrinho crescia no mesmo potencial em que sua paixão por Helen aumentava. E já se passaram quase quatro anos de gostosas transas vespertinas.
Eis que o algoz de Pedrinho chegara a seu pedaço. Um estuprador de bananeiras já comprometidas. O nome do moleque: Goia, um anagrama perfeito de Iago. E Goia, na calada da noite se deleitava em Helen, sem que Pedrinho soubesse que estava a ser traído. Dia após dia, Pedro começou a notar o último buraquinho aberto em Helen um pouco aluído. Mais que o normal. Como se estivessem a meter um pau mais grosso que o seu. Ira. Muita raiva e a busca pelo filho da puta que estava a comer Helen à surdina. Eis que Pedrinho desconfiara de Goia, por ter a mesma altura que ele. E a tocaia estava armada. À noite, Pedro montou campanha no meio do bananal.
Eis que lá para as 22h00min, um vulto surgiu entre as sombras tremulantes das folhas das bananeiras. O vulto chegou em Helen e sem nenhuma cerimônia, sem nem um beijo mais apaixonado ou sem nem uma troca de palavras carinhosas, baixou as calças e com o pau em riste, meteu o que pode na coitada, cuja natureza botânica cruel nem boca lhe deu para exprimir qualquer suspiro de desagrado. Consumada a foda, eis a desforra do traído: empunhando uma laterna, iluminou Helen e viu estampada a figura de Goia a se recompor, limpar o pau, colocar as calças. Num misto de fúria e desagrado, Pedrinho desferiu uma facada na barriga do filho da puta. Cambaleante, Goia tombou esvaindo-se de sangue e merda, com um olhar meigo e terno, como se pedindo perdão. E como desfeche mais triste, mais sórdido e mais irracional, Pedro desferiu em Helen, com a mesma faca com que matara Goia, um golpe fulminante que a partiu em dois pedaços.
Tombada no chão com sua suave seiva a escorrer por uma vala daquele bananal, Helen não esboçara nenhuma reação de dor, desprezo ou indignação ao ser “morta” por seu amante. Indignado com a frieza crua de Helen, e triste por ter matado seu amor fugaz, Pedrinho fez tal qual Otelo ao matar Desdêmona: encravou a faca com a qual já matara Goia e Helen em seu próprio peito. Três morreram naquela fatídica noite. Pobres daqueles que são tomados por ciúmes descabidos. E eis que mais uma paixão impossível entre um humano e um vegetal, ambos mortos, acabara de ter sua história tachada como impossível de se realizar.
Feb 19, 2010
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3 comentários:
Uma mistura de Nelson Rodrigues com o quitandeiro. Excelente o texto, cara!
Gostei muito do conto...
hauhauhuahuahauhauh! Caralho!
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