Seremos João e Maria, pseudônimos amantes como o casal da canção do Sivuca e do Buarque. Somos adultos, brancos. Eu (1,75m) tenho 38 anos e ela (1,63m) fez 36 há pouco.
Nos conhecemos com uma tímida troca de “olás” e “ASL”. Hoje somos mais unidos que nunca. Unidos pela carne e pelo desejo que mantém a chama dos nossos casamentos acessa. Ela casada com o marido dela e eu casado com a minha esposa.
Somos pessoas reconhecidamente bem quistas pela sociedade. Eu sou funcionário público e ela professora primária. Eu, casado há 18 anos, tenho dois filhos. Ela, casada há 6 anos tem uma filha belíssima. Somos membros ativos de pastorais da igreja católica. Eu da pastoral do menor e ela da pastoral carcerária. Somos o que o Gilberto Gil chamou de “pessoas da sala de jantar”. Entendam por essa expressão o que vocês, leitores, quiserem entender.
Eu e Maria nunca nos conhecemos pessoalmente e acredito que seja melhor assim. Pra que estragar algo melhor que isso: ambos tem apoio sentimental dos nossos cônjuges e filhos e apoio sexual em nós mesmos, um com o outro, sedentos por chat e pelas webcams.
Somos dois webnautas loucos e tesos um pelo outro. Pela internet realizamos todos os mais sórdidos desejos que minha esposa e o esposo dela não conseguiriam jamais realizar conosco. E o espaço virtual não é empecilho para a realização da carne. Só não nos podemos tocar. Ces't la vie. As coisas não são todas perfeitas. Eu sou Homem_38_Duro e ela é M_36_gataassanhada nos nossos sex and dirty chats. Fomos feitos um para o outro, máquinas de foder e de gozar e de produzir desejos ímpares com o dom maravilhoso de não consumirmos nossas carnes. Perfídias flores somos nós para com nossos amores esponsais: eu cravo negro e ela cravo branco. Há tanto sem roubarmos do gozo de nossas rosas que um dia nos aceitaram em casamento, gozamos eu e ela, desenfreadamente, sem pudores católicos, sem respeito pelas regras cristãs e sem limites para que o limiar da sanidade/loucura se mantenha. Somos dois loucos por nós.
E não irei poupá-los dos detalhes dos nossos chats: já fizemos de tudo um pouco. Jogos virtuais, strip teases, masturbação assistida, pedidos de mando, vídeos e toda sorte de fantasias que você, caro leitor, duvido que realize com sua esposa ou marido. Quantas vezes gozei deliberadamente pela web cam para o deleite de Maria. Quantas vezes eu não me deliciava em gostosas punhetas vendo Maria apalpar seus seios, masturbar-se com a mão enfiada sob a calcinha e quantas vezes perdi as estribeiras e noites de sono, realizando-me com ela e logo de manhã cedo ter de beijar meus filhos e minha esposa durante um lauto café da manhã e ter que carimbar uma grande papelada, enquanto Maria brinca de ciranda com sua classe de pequenas crianças. E eu somente desejando fodê-la mais e mais... no território sorrateiro e soturno das salas de bate-papo.
Sou (e acredito que Maria também o seja) assim: cidadãos normais, que compram pão na padaria, que sentam ao seu lado, leitor, no cinema e no ônibus, que cumprimentam as pessoas nas filas dos bancos e que apertam as bochechas dos seus filhos enquanto eu e você conversamos sobre amenidades. Enfim, voltando ao Gil, somos “pessoas da sala de jantar”, pessoas de bem e que não fazem mal a ninguém. Mas viramos duas bestas-feras sexuais no nosso mundo virtual. Lambuzo-me e deleito-me vendo Maria a se lambuzar e se deleitar, ao ver sites pornográficos, vídeos eróticos, sobre bestialidades e toda sorte de prática sexual. E nunca esqueço de tomar banho e de me confessar rezando fervorosamente depois de ficar horas a fio deliciando-me em sexo para purificar corpo e alma.
Apesar da sordidez das palavras desse conto, queridos leitores, queria dizer para vocês que eu queria consumar uma coisa com Maria, de forma que nenhum de vocês imaginam em seus sonhos. Com Maria queria sentir o calor do seu abraço e o molhado do seu beijo.
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
0 comentários:
Post a Comment