Aug 27, 2009

No cuzinho (conto)

- Me deixa colocar, vai?

- Não! No cuzinho, não! Dói!

- Dói não! Uso lubrificante, amaciantes e penetrantes.

- Dói não? Isso porque não é seu cu que tá na berlinda...

(aquela pendenga já se arrastava por muito tempo. E parecia que ali, naquele covil de paredes brancas, tudo estava pouco resoluto)

- Meu rapaz, decida-se! Quase todo mundo chega aqui com receio, mas depois deixam-se, todos, que eu coloque.

- Nem por 500 conversas eu te deixo meter essa porra em mim.

- O que é bobagem da sua parte. Seu ânus não é fonte de sua masculinidade. Rompê-lo não o fará menos macho.

- Puta... tem uma música para relaxar pelo menos.

- Não.

- Aqui, então, é tudo no seco, é?

- Como você acha que eu procedo? Sou profissional!

- Ok! Mete logo essa porra! Mas com cuidado que eu quero as pregas todas no lugar.

- Relaxe profundamente e deite-se em decúbito ventral. Deixe comigo que eu entendo das coisas: JANETE, por favor!

Entra Janete, uma cabrocha hiper-negra, empunhando luvas cirúrgicas e fechando a porta às suas costas onde se lia numa plaquinha: DR. CARNEIRO, PROCTOLOGISTA.

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