Thursday, July 16, 2009

Plic, plic, plic

(Sidclay Calaça Dias, Belém, 2009)



Abri os olhos e vi ratos, um beco imundo e um cano por onde saía mijo e merda.

Plic, plic, plic...bati as pálpebras e fechei os olhos.

E vi Milena com seus cabelos drapejados pelo vento e senti o perfume dela me inundando as narinas.

Abri os olhos e vi gente matando gente, estupros, pedófilos e tarados.

Plic, plic, plic...bati as pálpebras e fechei os olhos.

E Milena tenta me fazer sambar um samba e eu morro de achar graça com a minha inapetência para danças.

Abri os olhos e vi o Dalton Trevisan jogando pôquer com o Charles Bukowski e dois travestis defecando num cantinho numa esquina.

Plic, plic, plic...bati as pálpebras e fechei os olhos.

E Milena pede para eu comprar um celular e eu invento uma esfarrapada desculpa e a gente se queda rindo da minha bobagem.

Concluo que é melhor sonhar de olhos fechados a encarar a triste realidade de olhos abertos.

E plic, plic, plic... volto eu a fechar os olhos para nunca mais abri-los.

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